De São Paulo a Fortaleza, acompanhei de perto mais uma etapa do projeto MYM e encontrei mulheres dispostas a aprender mecânica, enfrentar preconceitos e ocupar um espaço que durante muito tempo pareceu pertencer apenas aos homens.
Ser embaixadora de um projeto como o MYM – Mulheres na Mecânica Yamaha tem me proporcionado experiências que vão muito além de conhecer oficinas, concessionárias e cursos de mecânica. É estar diante de histórias de mulheres que estão descobrindo que podem, sim, escolher a profissão que quiserem.
E é impossível não ficar feliz vendo uma marca como a Yamaha apostando em uma iniciativa que abre portas e coloca mulheres dentro das oficinas, dos cursos e de tantos outros espaços onde elas quiserem estar.
Mais do que ensinar mecânica, existe ali uma oportunidade de mudar perspectivas.
E foi justamente isso que encontrei em Fortaleza.
Três horas de voo e uma missão especial
Minha missão começou em São Paulo. Foram três horas de voo até Fortaleza.
Cheguei à Praia do Futuro, fiz o check-in no hotel e, pouco depois, seguimos para o SENAI Barra do Ceará.
Digo “seguimos” porque o Guilherme Bezerra, da Universidade Yamaha, foi minha companhia nessa etapa da viagem. Juntos, fomos participar de mais um momento importante do projeto.
Mas preciso voltar um pouquinho no tempo.
Foi a Indira Pacheco, coordenadora da Universidade Yamaha, quem me convidou para estar presente na abertura do MYM em Fortaleza. Foi ali que começou essa experiência.
Na abertura, conheci algumas das mulheres que fariam parte dessa primeira turma e pude perceber de perto a expectativa de quem estava começando uma nova etapa.
Entre elas estava a Aline.
Ela trabalha como auxiliar de limpeza dentro de uma concessionária. Foi justamente estando ali, no ambiente da oficina, que começou a surgir uma vontade que talvez ela mesma não imaginasse que teria: aprender mecânica.
Ela viu a oficina, acompanhou aquele universo de perto e decidiu que queria colocar a mão na graxa.
Hoje, Aline está inscrita no curso.
E essa história, para mim, resume muito do que o MYM pode representar. Às vezes, a oportunidade está ali, na nossa frente. Só falta alguém abrir a porta.
Também estavam presentes várias participantes do motogrupo Girls Biker 85, mulheres que já vivem o motociclismo e que agora querem entender ainda mais sobre as máquinas que fazem parte da paixão delas.
Serão 22 mulheres, uma sala e muita vontade de aprender
A formação reunirá 22 alunas.
E quem está à frente da parte de mecânica é o instrutorGeilson Leitão.
Preciso fazer um parêntese aqui porque foi impossível não gostar desse cara.
O Geilson é extremamente carismático e, além disso, muito didático. Tem aquela facilidade de explicar um assunto técnico de um jeito que faz você querer continuar ouvindo e perguntando.
Confesso: eu adoraria ser uma das alunas dele também.
Mas tá um pouquinho longe para mim… rs.
Brincadeiras à parte, dá para perceber que as alunas estão em boas mãos. E isso faz muita diferença quando estamos falando de mulheres que, em muitos casos, estão tendo o primeiro contato com a mecânica profissional.
São 160 horas de curso!!
Perguntei às primeiras alunas do MYM em Fortaleza quantas delas tinham interesse, de verdade, em trabalhar na parte técnica de uma concessionária.
Naquele momento, apenas três levantaram a mão.
Anotei esse número.
E tenho uma sensação muito forte de que, quando eu voltar para conversar com essas mulheres depois da conclusão do curso, esse número será maior.
Porque uma coisa ficou muito clara durante a visita: elas querem aprender.
Todas, sem exceção, demonstraram interesse pela mecânica de motos. Algumas já são apaixonadas por motocicletas. Outras estão tendo o primeiro contato com esse universo profissional.
Mas existe uma vontade em comum: aprender, quebrar barreiras e deixar alguns velhos tabus para trás.
E sim: elas querem colocar a mão na graxa.
Um dia inteiro conhecendo as concessionárias
Depois de conhecer a turma e acompanhar um pouco mais de perto o início dessa formação, dia seguinte seguimos para uma agenda de visitas às concessionárias Yamaha.
Foram três paradas: Crasa Motos, Terra Motos e Mundo Sam.
E foi nesse momento que também tive a oportunidade de conhecer a Joanna Karla, gerente da concessionária Mundo Sam.
A receptividade dasconcessionárias foi muito bacana. Mais do que simplesmente abrir as portas para uma visita, encontramos profissionais dispostos a conversar sobre o mercado, sobre os desafios e também sobre as oportunidades para as mulheres dentro desse universo.
E ouvir quem vive a rotina de uma concessionária é fundamental para entender o tamanho do desafio que existe pela frente.
A realidade dentro das concessionárias
Na Crasa Motos, conversei com profissionais que trouxeram experiências e também algumas dificuldades enfrentadas quando o assunto é colocar mulheres na parte técnica das oficinas.
O Alex, da Yamaha Crasa, contou que já teve experiências que não foram tão boas com mulheres trabalhando na oficina.
Segundo ele, existiram situações em que clientes foram grosseiros, e algumas profissionais acabaram ficando emocionalmente abaladas.
Não adianta simplesmente colocar mulheres dentro das oficinas e dizer que está tudo resolvido.
É preciso preparar essas profissionais, preparar as equipes, preparar os gestores e, principalmente, mudar também a maneira como o cliente enxerga uma mulher que está ali trabalhando na parte técnica.
Porque competência não tem gênero.
E, se queremos mais mulheres nas oficinas, elas precisam encontrar um ambiente onde possam aprender, errar, perguntar e evoluir — como qualquer profissional em início de carreira. Foi muito válida a observação do Alex.
Mecânica e vendas: uma combinação que pode fazer diferença
Outra conversa com Alex que me chamou bastante atenção foi sobre profissionais que conhecem os dois lados do negócio.
Um vendedor que já foi mecânico, por exemplo, consegue levar para a venda um conhecimento técnico que faz diferença.
E aí enxerguei uma possibilidade enorme para as mulheres que estão entrando nesse mercado.
Uma mulher mecânica não precisa necessariamente ficar limitada à bancada da oficina.
Ela pode ser consultora técnica, trabalhar com atendimento, pós-venda, vendas ou assumir diferentes funções dentro de uma concessionária.
E existe uma vantagem muito interessante quando conhecimento técnico e atendimento ao cliente caminham juntos.
Durante essa visita, também conversei com Edson, gerente de vendas, e Maximiliano, mecânico.
Da Crasa para a Terra Motos
A próxima parada foi a Terra Motos, também Yamaha…claro.
E mais uma vez fomos muito bem recebidos.
Conversei com uma consultora de vendas que me contou que, naquela manhã, por volta das 11 horas, a concessionária já havia vendido duas Tracer 700.
Duas motos.
Antes mesmo do meio-dia.
A nova Tracer realmente está fazendo muito sucesso.
Mas teve outra informação que me chamou ainda mais atenção: a Terra Motos também terá uma ação do MYM – Mecânica Yamaha para Mulheres, no dia 24 de outubro, data oficial das ações do MYM em todo o Brasil. Esta ação é a que já acontece por alguns anos… um workshop em uma manhã. Não é o treinamento para serem profissionais. E mesmo assim; é incrível … acho que toda mulher motociclista deve fazer.
É muito bacana perceber que o projeto está chegando a diferentes lugares e que as concessionárias estão abraçando a ideia.
Não é só sobre ensinar mecânica
Depois de passar por diferentes concessionárias e conversar com profissionais de áreas distintas, saí de Fortaleza pensando em uma coisa:
O MYM não é apenas um curso de mecânica.
É claro que aprender a fazer manutenção, entender uma motocicleta, conhecer ferramentas e desenvolver conhecimento técnico é fundamental.
Mas existe algo maior acontecendo.
Uma mulher que entra em uma oficina como aluna pode sair dali enxergando uma profissão que nunca tinha considerado.
Uma auxiliar de limpeza pode descobrir que quer ser mecânica.
Uma motociclista pode perceber que também quer entender profundamente a máquina que pilota.
Uma profissional pode entrar em uma concessionária pela oficina e, quem sabe, futuramente estar na área técnica, no atendimento, nas vendas ou até comandando uma equipe.
E talvez seja esse o ponto que mais me deixa feliz como embaixadora do MYM.
Ver a Yamaha apostando em uma ação que não fica apenas no discurso de inclusão. Uma ação que coloca mulheres dentro das concessionárias, dentro das salas de aula e, principalmente, dentro de um espaço que durante muito tempo foi tratado como masculino.
Eu gosto de ver isso acontecendo de verdade.
Gosto de chegar em uma oficina e encontrar mulheres perguntando, observando, querendo aprender.
Gosto de ouvir uma menina dizer que quer trabalhar com motos.
E gosto ainda mais de saber que algumas delas já estão pensando em transformar esse aprendizado em profissão.
E eu ainda vou voltar para conferir
As primeiras alunas do MYM de Fortaleza me deixaram uma curiosidade.
Quando perguntei quem gostaria de trabalhar em uma concessionária, apenas três demonstraram esse interesse de forma clara.
Eu guardei esse número.
Quero voltar depois das 160 horas de curso e fazer a mesma pergunta.
Quero saber quantas mudaram de ideia.
Quantas descobriram uma nova profissão.
Quantas vão querer entrar em uma oficina.
Quantas estarão prontas para procurar uma oportunidade.
Porque talvez o resultado mais interessante do MYM não esteja apenas no certificado entregue ao final do curso.
Talvez esteja na mulher que, depois de aprender mecânica, olha para uma oficina e pensa:
“Eu posso trabalhar aqui.”
E quando uma mulher começa a acreditar nisso, alguma coisa já mudou.
Eu saí de Fortaleza com a certeza de que ainda tenho muita história para contar sobre esse projeto.
E essa é, sem dúvida, uma das partes mais legais de ser embaixadora do MYM: poder acompanhar de perto essas histórias enquanto elas ainda estão começando.
A viagem terminou.
O trabalho dessas mulheres, não.
Não importa que fui até Fortaleza e consegui ficar 5 minutos na praia … importa que a minha alegria de ter participado desta abertura é maior que o mar inteiro.