As novas tecnologias na área da saúde são atualizadas em uma velocidade que o sistema público de saúde encontra dificuldades em acompanhar. A incorporação e dispensação de tecnologias médicas, principalmente para pessoas com condições crônicas não transmissíveis (CCNTs) não é simplificada, como mostram os números entre 2012 e 2019 da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde, a Conitec. Nos 671 processos de avaliação de tecnologia, 45,2% passam para incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS) e 24,3% não obtêm a incorporação, enquanto outras aparecem com diferentes status temporários ou definitivos.
A Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS) no Brasil trabalha por meio de conhecimentos que objetivam a promoção da saúde como medicamentos, produtos, procedimentos, sistemas organizacionais, educacionais, de informação e de suporte e os programas e protocolos assistenciais por meio dos quais a atenção e os cuidados com a saúde são prestados à população. Ela é responsável por subsidiar a Conitec nas suas recomendações referentes às solicitações de incorporação de tecnologias no sistema público de saúde.
A partir dessas definições, o Profº Dr. Gonzalo Vecina, Professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, destaca que no multiverso em que vivemos e com interesses pessoais de cada um, a meta é unir esforços e estratégias em conjunto de modo a atuar lado a lado e de forma intersetorial. Para ele, a questão da incorporação e dispensação de tecnologias é crítica, principalmente pela desigualdade social. “O papel da incorporação de tecnologias é fundamental para que as pessoas possam viver mais e melhor. A tecnologia, portanto, será responsável diretamente por salvar vidas, mas seu custo é elevado, então precisaríamos discutir quanto vale uma vida?”, provoca o especialista com um questionamento que é de suma importância para entender o impacto da incorporação de novas tecnologias.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) apresenta ações necessárias para que a incorporação de tecnologias seja agilizada, como ressalta Maurício Nunes, Diretor de Desenvolvimento Setorial da ANS. “Temos uma série de atores, como o poder judiciário e legislativo, para incorporações de tecnologias que variam entre 120 e 180 dias. Os contratantes também são muito importantes, já que atualmente são 50 milhões de beneficiários nos planos de saúde, cerca de 35 milhões são vinculados coletivamente e 11 milhões apenas pelas indústrias”, declara Nunes. Há leis que alteraram substancialmente os prazos dessas incorporações, a partir de recomendações positivas da Conitec. Como a Lei nº 14.307, reduz os prazos de incorporação da ANS para 60 dias.
Tais tecnologias possibilitam que os avanços farmacológicos, imunobiológicos e de equipamentos propiciem um melhor gerenciamento de condições como diabetes, câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias, assim como complicações ocasionadas por elas. Por essa razão, Ricardo Batista, Coordenador de Políticas Públicas no Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE), ressalta que os investimentos precisam ser feitos no SUS, pois o financiamento privado deve potencializar os serviços de saúde e melhorar o acesso à população.
“É de suma importância que o ritmo de incorporação de novas tecnologias na saúde pública não fique defasado, de modo a melhorar a qualidade de vida das pessoas, prevenir doenças e complicações, e salvar vidas. Com isso, reduzimos desigualdades sociais e garantimos que todos tenham acesso às inovações em saúde que necessitem”, finaliza Dr. Mark Barone, Coordenador Geral do FórumDCNTs.