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Como ajudar uma mulher vítima de violência: ouvir, e oferecer caminhos

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Por trás de muitas mulheres que encontramos todos os dias existe uma história que ninguém conhece.

E, quando você lidera um movimento feminino, como acontece comigo há tantos anos à frente das Aceleradas, acaba ocupando também um lugar de escuta. Mulheres chegam para conversar, mandam mensagens, contam histórias, pedem ajuda ou simplesmente precisam desabafar.

E, quando você lidera um movimento feminino, como acontece comigo há tantos anos à frente das Aceleradas, acaba ocupando também um lugar de escuta. Mulheres chegam para conversar, mandam mensagens, contam histórias, pedem ajuda ou simplesmente precisam desabafar.

E eu posso dizer: não é fácil.

É muito difícil saber de tantas histórias de violência. Algumas são de mulheres que estão vivendo situações dentro de casa. Outras enfrentam violência psicológica, humilhações, ameaças, controle financeiro, violência patrimonial, assédio no trabalho, violência sexual, perseguição, chantagem e tantas outras formas de agressão que nem sempre deixam marcas no corpo.

Muitas vezes, quem conta uma história dessas não está procurando alguém que resolva sua vida. Está procurando alguém que escute.

E ouvir tantas histórias também pesa.

É preciso estar com o psicológico em dia para conseguir acolher, orientar e continuar. Porque, por trás de cada relato, existe uma mulher, uma família, filhos, medo, insegurança e, muitas vezes, anos de sofrimento.

Eu aprendi que não podemos carregar sozinhas a dor de todas essas mulheres.

Podemos ouvir. Podemos informar. Podemos ajudar a encontrar caminhos.

Mas também precisamos entender que existe uma rede de profissionais e serviços preparada para isso.

Violência não é somente agressão física

Quando falamos em violência contra a mulher, muitas pessoas ainda imaginam apenas uma agressão física.

Mas a violência pode assumir diferentes formas.

Ela pode ser:

  • Física: empurrões, tapas, socos, chutes, estrangulamento ou qualquer agressão ao corpo.
  • Psicológica: ameaças, humilhações, manipulação, controle, isolamento, chantagem, perseguição e destruição da autoestima.
  • Verbal e moral: insultos, ofensas, acusações, difamação, exposição e situações destinadas a diminuir ou desmoralizar a mulher.
  • Patrimonial: controlar ou destruir dinheiro, documentos, objetos, bens, instrumentos de trabalho ou outros recursos da mulher.
  • Sexual: qualquer situação sexual sem consentimento, inclusive dentro de um relacionamento.
  • No trabalho: assédio, constrangimento, perseguição, ameaças, discriminação ou outras formas de violência no ambiente profissional.

Também existem formas de violência que acontecem no ambiente digital, como ameaças, perseguição, exposição de informações ou imagens íntimas, chantagens e invasão de privacidade.

Nem sempre a mulher consegue identificar imediatamente que está vivendo uma situação de violência.

Por isso, informação é tão importante.

Como ajudar uma mulher que está sofrendo violência?

Se uma mulher confiar em você e contar o que está acontecendo, talvez o mais importante seja não julgá-la.

Evite frases como:

  • “Por que você não vai embora?”
  • “Eu já teria terminado.”
  • “Você deixou isso acontecer.”
  • “Mas ele parece ser uma pessoa tão boa.”
  • “Você precisa denunciar agora.”

A intenção pode ser ajudar, mas frases assim podem fazer com que ela se sinta culpada, envergonhada ou ainda mais sozinha.

Em vez disso, pergunte:

  • “Você está segura neste momento?”
  • “Como posso te ajudar?”
  • “Você quer que eu apenas te escute ou quer ajuda para encontrar um caminho?”
  • “Tem alguém de confiança que podemos chamar?”
  • “Você gostaria de procurar um serviço especializado?”

A decisão sobre os próximos passos precisa, sempre que possível, respeitar a segurança e o tempo daquela mulher.

Não tente resolver tudo sozinha

Esse é um ponto que considero muito importante.

Quando alguém que amamos sofre violência, nosso primeiro impulso pode ser querer enfrentar o agressor, ir até a casa da pessoa ou tentar resolver tudo imediatamente.

Mas isso pode aumentar o risco para a vítima e para quem está tentando ajudar.

Se houver perigo, procure orientação especializada.

O Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher, funciona gratuitamente 24 horas por dia, todos os dias da semana. O serviço orienta sobre direitos, recebe denúncias e informa os serviços da rede de atendimento mais próximos.

Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp: (61) 9610-0180.

Em uma situação de emergência, quando a violência está acontecendo ou existe risco imediato, o número é 190, da Polícia Militar.

E se ela não quiser denunciar?

Acolher também significa respeitar.

Nem toda mulher consegue denunciar imediatamente. Muitas dependem financeiramente do agressor, têm filhos, têm medo de represálias, não têm para onde ir ou ainda estão tentando entender o que estão vivendo.

Isso não significa que devemos abandoná-la.

Podemos ajudá-la a construir uma rede de apoio, buscar informações, guardar documentos importantes em segurança, identificar pessoas de confiança e conhecer os serviços disponíveis.

E, principalmente, podemos lembrá-la:

Você não está sozinha.

Onde buscar atendimento psicológico gratuito?

Essa é uma informação que merece ser compartilhada.

Desde agosto de 2026, mulheres que vivem ou viveram situações de violência podem solicitar atendimento psicológico gratuito pelo SUS por meio do serviço Acolhe Mais, disponível no aplicativo Meu SUS Digital.

O atendimento é feito on-line por psicólogas capacitadas. O serviço está disponível em todos os estados brasileiros e pode oferecer até dez sessões, com possibilidade de continuidade do cuidado pela rede de saúde quando necessário.

Para acessar:

  1. Entre no aplicativo Meu SUS Digital.
  2. Acesse “Miniapps”.
  3. Procure “Acolhe Mais + – Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Mulheres”.
  4. Faça o cadastro e informe que vive ou viveu uma situação de violência.
  5. A equipe entra em contato para o agendamento.

Os teleatendimentos acontecem de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h

Além disso, a mulher pode procurar uma Unidade Básica de Saúde, CAPS, Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Centros Especializados de Atendimento à Mulher e outros serviços da rede local. Dependendo da situação, também pode haver encaminhamento para serviços de proteção e acolhimento. ([Serviços e Informações do Brasil][4])

Outros caminhos importantes

Delegacia da Mulher (DEAM/DDM): pode registrar a ocorrência e buscar orientação sobre medidas de proteção. Em locais onde não existe uma delegacia especializada, qualquer delegacia de polícia pode atender a vítima.

Defensoria Pública: pode orientar gratuitamente mulheres que precisam de assistência jurídica e informações sobre seus direitos.

Casa da Mulher Brasileira e Centros de Referência: oferecem, conforme a estrutura disponível em cada localidade, atendimento e encaminhamento para diferentes áreas da rede de proteção.

Ligue 180: 180, gratuito, 24 horas.

WhatsApp do Ligue 180: (61) 9610-0180.

WhatsApp do Ligue 180: (61) 9610-0180.

SAMU: 192, quando houver necessidade de atendimento médico de urgência.

E quem escuta também precisa de cuidado

Talvez essa seja a parte que eu mais precise dizer.

Quem lidera comunidades, projetos, movimentos ou redes de apoio acaba recebendo muitas histórias.

E não somos feitas de aço.

Eu amo estar perto de mulheres. Amo poder ajudar, orientar, abrir caminhos e, principalmente, lembrar uma mulher de que ela não está sozinha.

Mas algumas histórias ficam.

Algumas mensagens chegam de madrugada.

Alguns relatos fazem a gente parar e respirar fundo.

E, quando você percebe que tantas mulheres passaram ou ainda estão passando por situações que jamais deveriam viver, é impossível não sentir.

Por isso, precisamos aprender também a estabelecer limites.

Ajudar não significa absorver toda a dor.

Acolher não significa assumir a responsabilidade pela vida de outra pessoa.

E cuidar de outras mulheres também exige cuidar da nossa própria saúde emocional.

Eu não tenho todas as respostas. Nenhuma de nós tem.

Mas acredito profundamente que informação pode abrir uma porta.

Uma conversa pode fazer uma mulher perceber que aquilo que ela vive não é normal.

Uma amiga pode ser a primeira pessoa a acreditar nela.

Um profissional pode ajudá-la a organizar os próximos passos.

Uma ligação pode colocar essa mulher em contato com uma rede de proteção.

E uma rede de apoio pode fazer toda a diferença.

Se você conhece uma mulher que está passando por uma situação de violência, não espere que ela tenha forças para pedir ajuda.

Às vezes, tudo o que ela consegue dizer é:

“Eu não sei o que fazer.”

Talvez a nossa resposta possa ser simplesmente:

“Tudo bem. Vamos descobrir juntas.”

Informação também acelera a proteção.

E nenhuma mulher deveria precisar enfrentar a violência sozinha.

Veja também no link:

https://www.instagram.com/p/Dcohgn6x8ki/?igsi=dW9hY2I1OGFxeDNw

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