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Meu Smart Fortwo: o pequeno carro que virou um gigante pra mim

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Por Eliana Malizia

Eu confesso: sou apaixonada pelo meu Smart.

E talvez por isso esteja escrevendo esta matéria com uma mistura de carinho e despedida. Depois de tanto tempo com ele, chegou a hora de admitir que preciso de um carro maior. Mas antes de entregar meu pequeno Fortwo para a próxima dona, resolvi contar algumas das coisas que fazem desse carro um dos automóveis mais curiosos que já passaram pela minha vida.

Porque o Smart é pequeno. Muito pequeno.

O Fortwo tem cerca de 2,50 metros de comprimento. E esses poucos centímetros fazem uma diferença enorme na cidade.

Eu estaciono onde outros carros nem sonhariam em entrar. Vagas apertadas deixam de ser um problema. Em alguns estacionamentos, existem inclusive espaços especialmente pensados para carros pequenos.

Por trás do tamanho quase de brinquedo está um conjunto mecânico bem interessante. O meu Smart Fortwo Turbo 2009 tem motor 1.0 de três cilindros, instalado na traseira, com turbocompressor, 12 válvulas e 84 cv de potência a 5.250 rpm, entregando 12,2 kgfm de torque a 3.250 rpm. O câmbio é automatizado de cinco marchas e a tração é traseira. Com apenas cerca de 770 kg, o pequeno Smart acelera de 0 a 100 km/h em 10,9 segundos e chega aos 145 km/h, velocidade limitada eletronicamente. Ele mede somente 2,695 metros de comprimento, tem entre-eixos de 1,867 m e tanque de 33 litros. Os pneus também seguem a proposta do carro: 155/60 R15 na dianteira e 175/55 R15 na traseira. E talvez seja justamente essa combinação de motor turbo, baixo peso, tração traseira e dimensões mínimas que faça o Smart ser tão divertido de dirigir. E tem um detalhe que muita gente não sabe: o Smart não é simplesmente um carrinho urbano independente. O Fortwo nasceu dentro do grupo Daimler, o mesmo da Mercedes-Benz, e o desenvolvimento e a engenharia tiveram forte ligação com a marca alemã.

O Smart chama olhares

Outra coisa que sempre me chamou atenção é a reação das pessoas.

Crianças apontam. Adultos sorriem. Tem sempre alguém que olha duas vezes. E, não sei explicar exatamente por quê, ele parece despertar uma simpatia que poucos carros conseguem.

Mas existe uma situação que virou quase uma brincadeira para mim.

Dou a seta para entrar em algum lugar e, geralmente  o motorista que está vindo simplesmente para e deixa eu passar. É sério.

Parece que o tamanho do Smart desperta uma espécie de gentileza no trânsito.

Talvez seja porque ele é pequeno. Talvez porque tenha um desenho simpático. Ou talvez porque ninguém queira “brigar” com um carrinho desses.

O tamanho é justamente a grande vantagem

O Smart nasceu com uma proposta muito clara: ser uma solução inteligente para a mobilidade urbana.

E é exatamente isso que ele entrega.

É fácil de manobrar, fácil de estacionar e ocupa pouquíssimo espaço. Para quem vive em cidade grande, isso é uma vantagem enorme.

E tem uma coisa que só quem dirige um carro desses entende: depois que você se acostuma com 2,50 metros de comprimento, entrar em um carro grande dá até uma certa aflição na hora de procurar vaga.

E o consumo?

Outra vantagem que sempre gostei no meu Smart é o consumo.

Dependendo da versão, motorização, ano e principalmente da maneira como o carro é conduzido, ele pode ser bastante econômico.

No uso urbano, que é justamente a proposta para a qual foi desenvolvido, o pequeno motor e o baixo peso ajudam bastante.

E, no meu caso, manutenção também nunca foi um drama.

É claro que não existe carro que não precise de revisão, óleo, pneus, freios e manutenção preventiva. Mas o meu Smart sempre foi um carro que me trouxe muito mais alegrias do que preocupações.

Mas ele não serve só para a cidade

Muita gente olha para o Smart e pensa imediatamente: “Esse carro só pode andar dentro da cidade.”

Eu mesma já peguei estrada com o meu.

E ele vai.

Obviamente, é preciso lembrar que estamos falando de um carro pequeno, com características próprias e que não deve ser comparado a um sedã grande ou a um SUV. Em estrada, é preciso respeitar os limites do carro, da via e dirigir com atenção redobrada.

A legislação também muda de país para país e, principalmente, depende da categoria e da versão do veículo.

Na Itália, por exemplo, existem regras específicas para circulação em autoestradas e determinadas categorias de veículos são proibidas nesses trechos. Já na Alemanha, o Smart é conhecido há décadas justamente pela facilidade de estacionar em espaços pequenos.

A curiosa história de estacionar o Smart de lado

Essa é uma das histórias mais interessantes envolvendo o Fortwo.

Como ele tem apenas cerca de 2,50 metros de comprimento, alguns proprietários passaram a estacioná-lo perpendicularmente ao meio-fio, ocupando uma vaga tradicional de maneira diferente e, em determinadas situações, deixando espaço para outros carros.

É aquela cena que todo mundo já viu: dois Smarts ocupando uma vaga onde normalmente caberia apenas um carro.

Na Alemanha, por exemplo, a situação depende das condições do local e de não prejudicar ou colocar em risco o trânsito. A própria administração de Frankfurt explica que o estacionamento transversal de pequenos carros não é automaticamente autorizado.

Na Áustria, a regra é mais restritiva e o estacionamento transversal não é permitido.

E tem uma curiosidade ainda mais interessante acontecendo agora na Itália.

Uma proposta de alteração do Código da Estrada prevê permitir o estacionamento perpendicular para veículos de até 2,70 metros de comprimento, o que beneficiaria justamente modelos como as antigas Smart Fortwo. Mas, enquanto a mudança não for oficialmente aprovada, não dá para dizer que essa prática já esteja legalizada no país.

Ou seja: aquela velha brincadeira de colocar o Smart de lado na vaga não é simplesmente uma “regra do Smart”. A legislação é que determina quando isso pode ou não acontecer.

E por que eu gosto tanto dele?

Porque ele facilita a vida.

Porque cabe. Porque gasta pouco… é lindo, é turbo, fácil de estacionar, é divertido.

Porque já me fez sorrir muitas vezes.

E porque, de alguma maneira, ele transforma uma coisa tão cotidiana quanto dirigir em uma experiência diferente.

Agora chegou a hora de dizer adeus

Essas fotos são, de certa maneira, minha despedida.

Não porque eu tenha deixado de gostar dele. Muito pelo contrário.

Eu continuo apaixonada pelo meu Smart.

Mas hoje eu preciso de um carro maior. A vida muda, as necessidades mudam e chega uma hora em que espaço passa a ser uma necessidade, não apenas uma escolha.

Meu pequeno Smart me acompanhou em muitos momentos.

Talvez essa seja a melhor lembrança que eu vou levar dele.

Ele é pequeno no tamanho, mas deixou uma história enorme.

E posso dizer, sem nenhuma dúvida: esse pequeno carro só me deu alegrias. Grandes alegrias.

Agora ele vai seguir para uma nova garagem, uma nova história e provavelmente continuar fazendo aquilo que sabe fazer tão bem:

Caber onde quase nenhum outro carro cabe e arrancar um sorriso de quem passa“.

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