Há três anos decidi transformar mais de duas décadas de experiência no motociclismo em algo que pudesse fazer diferença na vida de outras mulheres. Depois de tantos anos atuando como jornalista especializada, piloto de testes, instrutora e convivendo diariamente com milhares de motociclistas, percebi que guardar conhecimento para mim não fazia mais sentido. A experiência só tem valor quando é compartilhada.
Foi assim que nasceu o Pilotagem para Mulheres.
Desde o primeiro dia, meu objetivo nunca foi apenas ensinar alguém a pilotar uma motocicleta. O que eu queria era formar mulheres mais preparadas para enfrentar o trânsito, mais conscientes dos riscos e, principalmente, mais confiantes sobre suas próprias capacidades.
Pode parecer apenas um curso de pilotagem, mas, para mim, ele sempre foi muito maior do que isso.
Cada mulher que aprende a frear corretamente, fazer uma curva com mais segurança, olhar mais longe ou antecipar situações de perigo ganha muito mais do que técnica. Ela ganha autonomia. Ganha confiança. E leva esse conhecimento para o resto da vida. Isso significa mais segurança para ela, mais tranquilidade para sua família e um trânsito melhor para todos.
Um sonho que continua sendo construído
Confesso que houve momentos em que achei que seria difícil manter o projeto de pé.
Capacitar pessoas exige estrutura, equipamentos, espaço adequado, motocicletas, instrutoras qualificadas e muita dedicação. E a realidade é que eu continuo bancando praticamente sozinha grande parte desse projeto, porque acredito profundamente que educação salva vidas e que esse trabalho precisa continuar.
Ainda assim, conseguimos dar um passo enorme: hoje o Pilotagem para Mulheres é totalmente gratuito para as alunas.
Tenho uma gratidão enorme à minha equipe de instrutoras, que doa conhecimento, experiência e energia em cada turma.
Também agradeço à Moto Remaza, que acreditou no projeto desde o início, abriu suas portas e permitiu que centenas de mulheres fossem capacitadas ao longo desses anos.
E agora fico muito feliz em receber a Savana Motos nessa missão. Sob a liderança de uma mulher empreendedora, a empresa decidiu investir nesse propósito e contribuir para que o projeto continue crescendo.
O verdadeiro resultado não aparece nas planilhas
Muitas pessoas perguntam qual é o retorno de um projeto como esse.
Minha resposta é simples: ele não cabe em números.
O resultado está na mulher que vence o medo de pilotar.
Na aluna que aprende uma técnica de frenagem e consegue evitar um acidente.
Na motociclista que passa a fazer curvas com mais segurança.
Na família que fica mais tranquila sabendo que ela recebeu treinamento especializado.
Na confiança que vejo no olhar de cada participante ao final de cada curso.
É isso que realmente importa.
Ainda temos muito caminho pela frente
Hoje temos fila de espera.
Temos uma equipe preparada.
Temos estrutura para ampliar esse impacto e capacitar ainda mais mulheres.
O que ainda precisamos é ampliar nossa rede de parceiros.
Mais do que patrocinadores, procuro empresas que compartilhem desse propósito. Marcas que entendam que investir em educação, cidadania, inclusão, segurança viária e no protagonismo feminino é investir em vidas.
Vivemos um momento em que os consumidores valorizam empresas que fazem mais do que vender produtos. Eles querem marcas que assumam um compromisso verdadeiro com a transformação da sociedade.
Projetos de impacto social não substituem estratégias de marketing. Pelo contrário: eles fortalecem marcas quando existe propósito, coerência e compromisso.
Talvez a pergunta mais importante não seja apenas qual visibilidade um projeto pode entregar.
Talvez seja outra:
Que legado queremos deixar para a mobilidade e para a segurança das próximas gerações de motociclistas?
Tenho muito orgulho do caminho que estamos construindo.
Continuarei fazendo a minha parte, porque acredito profundamente que conhecimento salva vidas.
Mas também acredito que esse legado pode ser muito maior quando mais empresas decidem caminhar ao nosso lado.
Porque cada nova marca que apoia o Pilotagem para Mulheres permite que mais mulheres tenham acesso a uma formação de qualidade, pilotem com mais segurança e voltem para casa preparadas para enfrentar o trânsito.
No fim das contas, não estamos apenas ensinando técnicas de pilotagem.
Estamos ajudando a salvar vidas, uma motociclista de cada vez.