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Viagens

Rodei mais de 2.000 km com a Kawasaki Eliminator 500: uma custom que nasceu para viajar

Publicado

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Por Cibele Sayuri

Nem toda motocicleta revela seu verdadeiro potencial em um test ride de algumas horas. Algumas precisam de estrada.

Foi exatamente isso que aconteceu com a Kawasaki Eliminator 500 2025 – escolhida para me acompanhar em uma viagem de mais de 2.000 quilômetros entre São Paulo, Uberlândia e Brasília, onde fui gravar uma reportagem especial para o Auto Esporte durante o Capital Moto Week – a abertura ao vivo, histórica, do programa. Quanta responsabilidade.

No fim da viagem, ficou uma certeza: a Eliminator não foi apenas o meio de transporte. Ela acabou se tornando uma das protagonistas dessa aventura.

O roteiro começou em São Paulo, com a primeira parada em Uberlândia (MG). No dia seguinte segui para Brasília (DF), onde permaneci alguns dias produzindo conteúdo durante o Capital Moto Week, o maior festival de motos e rock da América Latina. Para a hospedagem, escolhi o Airbnb, uma alternativa prática para quem viaja de moto, oferecendo conforto, liberdade de horários e bom custo-benefício. Depois das gravações, retornei pelo mesmo caminho, porém sem parada para pernoitar, vim direto, de Brasília para São Paulo, encerrando uma jornada de mais de dois mil quilômetros.

Antes mesmo de sair, a Eliminator já despertava curiosidade. Não à toa, foi a motocicleta mais votada pelas mulheres durante o Aceleradas Experience 2025, mostrando que seu visual moderno e sua proposta conquistaram quem busca uma moto estilosa, mas também fácil de pilotar.

Confesso que, antes da viagem, eu imaginava a Eliminator muito mais como uma motocicleta urbana. Afinal, seu estilo cruiser, banco baixo e linhas minimalistas passam essa impressão. Mas bastaram alguns quilômetros para perceber que ela entrega muito mais do que aparenta. Muito mais!

O coração da Eliminator é um moderno motor bicilíndrico paralelo de 451 cm³ refrigerado a líquido, capaz de desenvolver aproximadamente 51 cv de potência e 4,3 kgfm de torque. É um conjunto derivado da plataforma da Ninja 500, mas totalmente recalibrado para privilegiar torque em baixas e médias rotações. Na prática, isso significa respostas rápidas, acelerações progressivas e retomadas seguras, sem exigir reduções constantes de marcha durante as ultrapassagens.

O câmbio de seis velocidades trabalha em perfeita sintonia com o motor, e a embreagem assistida e deslizante deixa o acionamento extremamente leve, algo que faz diferença tanto no trânsito quanto depois de muitas horas de viagem.

A ergonomia também merece destaque. O banco, a apenas 735 mm do solo, transmite muita confiança, principalmente para pilotos de menor estatura. É fácil apoiar os dois pés no chão, fazer manobras e controlar a motocicleta em baixas velocidades. Essa sensação de segurança é um dos pontos que mais explicam o sucesso da Eliminator entre as mulheres, embora seja importante dizer que ela não é uma moto “para mulheres”. É uma moto para quem procura conforto, facilidade de condução e prazer ao pilotar.

Mesmo depois de centenas de quilômetros percorridos no mesmo dia, a posição de pilotagem continuava confortável. O guidão deixa os braços em uma postura natural, as pedaleiras ficam bem posicionadas e o banco se mostrou bastante agradável durante toda a viagem. Talvez uma garupa por logo tempo na estrada, fique incomodada, o banco para garupa é bem estreito. Mas nada que um baú com encosto ou um sissy bar não resolva.

Outro ponto que chamou minha atenção foi a estabilidade. Com cerca de 176 kg em ordem de marcha, a Eliminator muda de direção com facilidade e transmite muita confiança nas curvas. A suspensão dianteira telescópica de 41 mm e os amortecedores traseiros absorvem bem as imperfeições do asfalto, proporcionando um equilíbrio interessante.

Na ida, enfrentamos horas de chuvas na estrada – da região de Jundiaí até Ribeirão Preto (coincidentemente horas após o tornado que afetou a madrugada de 24/07) – a moto seguiu firme, sem trepidações, “colada” ao asfalto – o que com toda certeza, transmitiu a segurança necessária para prosseguir sem maiores incômodos.

Na estrada, ela mostrou exatamente o comportamento que eu esperava de um bom bicilíndrico. Mantendo velocidades de cruzeiro entre 110 e 120 km/h, o motor trabalha de forma suave, praticamente sem transmitir vibrações para guidão, banco ou pedaleiras. Depois de muitas horas pilotando, esse detalhe faz toda a diferença e reduz bastante o desgaste físico.

Quanto ao consumo, durante todo o percurso registrei média de 22 km/l.

Outro detalhe importante é que a Eliminator não tenta impressionar pelo excesso de tecnologia. Ela entrega exatamente o que faz sentido no uso diário: iluminação Full LED, painel digital com conectividade pelo aplicativo Rideology, que registra percurso e consumo, como um diário de bordo, freios ABS de série e uma ciclística extremamente amigável. Tudo funciona de maneira simples, intuitiva e eficiente. Confesso que senti falta do espelhamento de GPS na tela.

Depois de tantos quilômetros juntas, ficou fácil entender por que ela conquistou tantas motociclistas no Aceleradas Experience. Ela inspira confiança desde os primeiros metros, é fácil de conduzir, confortável e muito divertida quando a estrada começa a ficar mais sinuosa.

O que mais gostei na Eliminator 500

  • Motor bicilíndrico extremamente agradável, com força sempre disponível e funcionamento muito suave;
  • Ergonomia excelente, especialmente para pilotos de diferentes estaturas;
  • Banco baixo, que transmite bastante segurança nas manobras;
  • Baixíssimo nível de vibração em velocidades de cruzeiro;
  • Leveza e facilidade para pilotar, tanto na cidade quanto na estrada;
  • Visual moderno que mistura o estilo clássico das cruisers com linhas contemporâneas.

No site da Kawasaki Brasil**, a Eliminator 500 SE 2026 tem preço público sugerido de R$ 41.490,00, sem frete.

Depois de mais de 2.000 quilômetros, minha conclusão é simples: a Eliminator 500 é uma motocicleta que entrega muito mais do que seu visual deixa imaginar. Ela encara o uso diário com facilidade, viaja com conforto e transmite confiança o tempo todo.

Foi a estrela da pauta que gravamos em Brasília. Mas, para mim, acabou sendo também a estrela da estrada.

E talvez seja exatamente esse o maior elogio que uma motocicleta possa receber: quando você chega ao destino pensando na próxima viagem, e não no cansaço que ela provocou.

 

Experiência e essência

 

Além de toda a experiência com a Tokyo – sim, a Eliminator ganhou nome, afinal foi a minha fiel parceira – um outro lado precisa ser falado aqui.

Muitas foram as perguntas e afirmações…

Vai sozinha?

Não tem medo?

Você tá ficando doida…

Obviamente, mais de 2000km por uma estrada não antes passada por mim pilotando, sozinha, mulher, de moto… assusta e claro, há um perigo, um risco real.

E há também o desafio.

Há também o sonho.

Ha também a sensação ÚNICA de superação e conquista.

E foi assim…

Sensação única de me reconectar com minha essência, tão abafada ao longo de tantos desafios enfrentados ao longo da caminhada.

A estrada, a solitude, o vento no rosto, o ronco do motor, as paisagens, o riso (muita risada dentro do capacete), o choro (também teve sim uai), as orações (muitas orações), conversas profundas e piadas com Deus, minha melhor companhia!

As paisagens, muitas paradas pra fotos, em estradinhas de terra em fazendas, em locais inusitados… muitas fotos, mas ainda assim, o que meus olhos viram, o que meu coração sentiu, não dá pra ser transmitido em imagens, nem em palavras…

Reencontro comigo mesma.

Como a Sayuri era, antes de tanta coisa…

A essência, a leveza, a certeza, a vontade, desejo…

O caminho foi percorrido e pra sempre marcado aqui dentro… na verdade, o caminho foi feito aqui, pra dentro…

Caminho de volta!

Das plantações lindas na beira da estrada, da estrada de terra com muita poeira, da lua gigante iluminando o céu estrelado e a estrada, da água gelada da cachoeira, de sorrisos e abraços genuínos que recebi, o cuidado e carinho recebido – ainda que à distância, da adrenalina da super responsabilidade de estar ao vivo em um programa de TV, o vento no rosto… ah, o VENTO NO ROSTO!

Identidade

Se perdeu a sua, reencontre.

Se a conhece, não negocie.

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