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Violência contra a mulher: quando a agressora também é uma mulher

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Por Eliana Malizia

Quando falamos em violência contra a mulher, a imagem que normalmente vem à mente é a de um homem como agressor. E estatisticamente essa continua sendo a realidade da imensa maioria dos casos. No entanto, limitar essa discussão apenas a esse cenário pode invisibilizar mulheres que também vivem relacionamentos abusivos em outras configurações, inclusive em relações entre duas mulheres.

Falar sobre isso não diminui a gravidade da violência praticada por homens. Pelo contrário. Amplia o entendimento de que o abuso nasce da necessidade de exercer poder, controle e dominação sobre o outro, independentemente do gênero de quem agride.

Essa é uma conversa necessária.

 

O abuso raramente começa com violência física

Relacionamentos abusivos dificilmente começam com um tapa.

Na maioria das vezes, eles começam de maneira quase imperceptível: críticas constantes, mentiras, manipulação emocional, isolamento, controle das amizades, chantagem afetiva, desvalorização das conquistas e a sensação permanente de que a vítima nunca é suficiente.

Pouco a pouco, a autoestima vai sendo corroída.

A vítima deixa de confiar em sua própria percepção da realidade e passa a acreditar que está exagerando, que é sensível demais ou que, de alguma forma, merece aquele tratamento.

É justamente essa desconstrução psicológica que torna tão difícil reconhecer o abuso enquanto ele acontece.

O vínculo que aprisiona

Na psicanálise, entende-se que os vínculos afetivos não são sustentados apenas pelo amor consciente.

Nossas escolhas, nossos medos e a forma como nos relacionamos também carregam marcas da nossa história, da infância, das experiências emocionais e dos modelos de afeto que aprendemos ao longo da vida.

Por isso, muitas vítimas permanecem em relações que lhes causam sofrimento.

Não porque gostem da violência.

Mas porque, muitas vezes, o medo da perda, da solidão, da culpa ou da sensação de não serem suficientes acaba falando mais alto do que o próprio sofrimento.

Além disso, relacionamentos abusivos costumam alternar momentos de agressão com períodos de carinho, pedidos de desculpas e promessas de mudança.

Esse ciclo cria esperança e confusão emocional, fazendo com que a vítima acredite que “dessa vez será diferente”.

Mulheres também podem exercer violência

Existe um imaginário social que associa a mulher apenas ao papel de vítima.

Entretanto, qualquer pessoa é capaz de exercer comportamentos abusivos.

Mentir de forma recorrente, manipular emocionalmente, controlar, humilhar, ameaçar, praticar violência física ou sexual e utilizar o sofrimento do outro como instrumento de poder são atitudes que não pertencem a um gênero específico.

Quando isso acontece em relacionamentos entre mulheres, muitas vítimas enfrentam uma dificuldade adicional: o medo de não serem levadas a sério.

Existe receio do julgamento, da minimização da violência e da ideia equivocada de que, por serem duas mulheres, a relação seria naturalmente mais saudável.

Infelizmente, isso nem sempre corresponde à realidade.

O silêncio protege o agressor

Toda violência cresce no silêncio.

Quanto mais difícil é falar sobre determinado assunto, mais pessoas continuam sofrendo sozinhas.

É por isso que ouvir relatos reais tem tanto impacto.

Eles ajudam outras pessoas a reconhecerem sinais que talvez ainda não consigam enxergar na própria vida.

Nem todo relacionamento termina porque acabou o amor.

Alguns precisam terminar porque acabaram o respeito, a segurança e a liberdade.

Daqui Pra Frente

Durante o Agosto Lilás, o projeto “Daqui Pra Frente” criado por mim para publicações no  Aceleradas, reúne relatos reais — publicados de forma autorizada e anônima — de mulheres que sobreviveram a relacionamentos abusivos.

O objetivo não é reviver a dor.

É transformar experiências em informação, acolhimento e esperança para que outras mulheres consigam reconhecer os sinais antes que a violência avance.

Porque sempre existe um caminho.

E ele começa quando alguém percebe que merece viver sem medo.

Assista ao depoimento completo no Instagram do Aceleradas:

https://www.instagram.com/reel/DbqERGlxCgn/?igsh=MWEwNDd5aXR4dXlkbg==

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