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O preço invisível de uma vida que muita gente sonha ter

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Tem uma coisa curiosa no meu trabalho: muita gente olha para o mundo das duas rodas, para o automotivo, para os eventos, as viagens, os lançamentos, as motos, os cafés, os encontros… e pensa: “Que vida incrível. Eu queria trabalhar com isso.”

E é.

Mas é também muito mais coisa do que aquilo que aparece na foto.

Porque quase ninguém vê as centenas de reuniões, os deslocamentos, os cafés que não eram exatamente sobre café, mas sobre relacionamento. As visitas, os “vamos marcar um café”, os eventos em que você chega antes de todo mundo e vai embora depois. O social. O corre. As mensagens. As negociações. As oportunidades que você cria para outras pessoas. Os contatos que você apresenta. As portas que você abre.

E, principalmente, quase ninguém vê o preço disso tudo.

As dores no corpo. O cansaço. As renúncias. Os momentos em família que você não viveu porque estava trabalhando. As vezes em que você precisou estar inteira quando, por dentro, estava exausta.

E talvez exista uma parte ainda mais invisível: a quantidade de pessoas que passam pela nossa vida profissional.

Eu já dei milhares de dicas. Já indiquei pessoas. Já apresentei contatos. Já aproximei profissionais que jamais teriam se encontrado sozinhos. Já compartilhei oportunidades sem pensar duas vezes.

Fiz isso porque, para mim, relacionamento nunca foi uma moeda de troca.

Eu faço porque acredito

Confiei em muita gente também.

E, curiosamente, tive poucas decepções.

Tenho pensado nisso ultimamente. Num mundo em que tantas relações parecem acontecer por interesse, talvez eu tenha tido sorte. Ou talvez eu tenha aprendido, ao longo dos anos, a escolher melhor quem pode caminhar perto.

Porque a gente aprende.

Aprende depois de confiar demais. Aprende depois de perceber que nem todo mundo que chama de amizade está necessariamente interessado em você — às vezes está interessado no que estar perto de você proporciona.

Ah sim, e isso dói.

Dói perceber que algumas pessoas se aproximaram não para conhecer quem você é, mas para conhecer o mundo ao qual você teve acesso.

Para fazer contatos, viver experiências, para chegar em lugares.

Para estar perto de pessoas.

E existe uma coisa quase psicanalítica nisso tudo: talvez algumas pessoas não desejem exatamente a nossa vida. Desejem a imagem que construíram dela. Elas projetam.

Olham para aquilo que aparece e imaginam que ali existe uma vida sem bastidores, sem boletos emocionais, sem cansaço, sem renúncias.

Só que ninguém vê o preço de uma trajetória quando olha apenas para o resultado.

Talvez seja ainda mais desconcertante quando isso parte de alguém que, profissionalmente, deveria conhecer tão bem os mecanismos das relações humanas. Mas profissão nenhuma imuniza ninguém contra as próprias sombras. E, às vezes, aquilo que alguém tenta encontrar, reproduzir ou ocupar na vida do outro revela muito mais sobre o que falta dentro de si do que sobre aquilo que existe em quem está sendo observado.

E talvez seja justamente aí que eu tenha aprendido uma das coisas mais importantes desses 21 anos:

Nem toda aproximação é vínculo.

Nem toda admiração é afeto.

Nem toda gratidão é genuína.

E nem toda pessoa que sorri para você está feliz pela sua conquista.

Mas sabe o que é mais louco?

Eu olho para trás e percebo que Deus foi muito bom comigo.

As poucas pessoas que me decepcionaram, de alguma maneira, me empurraram para um lugar maior.

Algumas dores viraram decisões.

Algumas decepções viraram limites.

Algumas traições de confiança viraram coragem.

Algumas perdas abriram espaço.

E algumas pessoas que eu achei que estavam me tirando alguma coisa estavam, sem saber, me obrigando a dar um passo maior.

obrigando a dar um passo maior.

Talvez seja isso que eu chamo hoje de transformação.

Eu não transformei decepção em ressentimento.

Transformei em desafio, meta….transformei em sonho.

E simmmm, tem mais um sonho sendo realizado. Ainda não vou contar.

 

Tem também uma coisa que venho aprendendo — inclusive olhando para tudo isso com um pouco mais de curiosidade psicanalítica:

Quando somos pessoas genuinamente boas, demoramos um pouco mais para reconhecer a maldade.

Não porque somos ingênuos…mas porque é natural usarmos a nossa própria régua para medir o outro.

Se eu não faria isso com você, por que você faria comigo?

Se eu não me aproximaria de alguém apenas por interesse, por que essa pessoa faria isso comigo?

A gente demora para perceber porque, muitas vezes, procura no outro a lógica que existe dentro da gente. Mesmo tanta gente me falando “cuidado Eliana”.

É que algumas pessoas sabem representar “muito bem”.

Transformam interesse em amizade.

Conveniência em gratidão.

Aproximação em afeto.

Elas estão sempre “transbordando”… 

E, por algum tempo, a gente acredita.

“E tudo bem”.

Talvez também faça parte do amadurecimento descobrir que não precisamos desconfiar de todo mundo só porque alguns não foram honestos.

Eu ainda prefiro confiar.

Ainda prefiro ajudar.

Ainda prefiro apresentar pessoas, abrir portas, compartilhar conhecimento e comemorar genuinamente a conquista dos outros.

Porque, no fim, não quero que a maldade dos outros determine quem eu sou.

E talvez essa seja uma das maiores riquezas que o tempo me trouxe:

Eu não quero uma vida cheia de pessoas.

Quero uma vida cheia de relações que façam sentido.

Porque a real é que no fim da estrada, não são os contatos que ficam – são as conexões.

E talvez exista uma ironia bonita — e um tanto desconcertante — em tudo isso.

Justamente na semana em que um dos meus maiores projetos do sonho foi aceito, Deus também me mostrou, com uma clareza que eu talvez ainda não tivesse conseguido encontrar sozinha, quem realmente deveria fazer parte dele… e quem não deveria.

Imagina só: alguém em quem eu confiava faria parte desse sonho que, em breve, vou poder contar para vocês.

E foi exatamente naquele momento, quando uma porta tão importante se abriu, que outra coisa ficou evidente.

Talvez algumas pessoas não sejam retiradas da nossa vida para nos punir.

Talvez sejam retiradas para não atravessarem conosco a próxima porta.

E talvez essa seja uma das formas mais bonitas de proteção: quando a gente acha que está perdendo alguém, mas, na verdade, está sendo liberada para viver algo maior…melhor…

Hoje eu consigo olhar para algumas decepções e pensar: ainda bem.

Ainda bem que doeu.

Ainda bem que meus olhos abriram.

Ainda bem que algumas máscaras caíram antes de eu chegar onde estou chegando.

Porque Deus é bom o tempo todo.

Até quando a gente não entende.

Até quando dói.

Até quando parece perda.

E, principalmente, quando só depois percebemos que aquilo que parecia o fim de uma relação era, na verdade, o começo de uma nova rota.

A estrada continua.

E, dessa vez, com menos peso e muito mais espaço para o que realmente importa.

E vem aí mais um capítulo….

O meu projeto dos sonhos!

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